quinta-feira, 16 de junho de 2011

Investimento cresce em ritmo lento e poupança tem queda

Matéria publicada em http://www.dci.com.br/


São Paulo - O País ainda está longe de alcançar a taxa de investimento necessária para ampliar sua infraestrutura. Ao mesmo tempo, o crescimento da taxa de poupança - economia para ter recursos para investir -, ao não acompanhar o avanço do Produto Interno Bruto (PIB), surge como mais um complicador ao Brasil.

A meta do governo é que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, que mede os investimentos voltados à produção) alcance 22% do PIB. Porém, a taxa não consegue chegar aos 20%. E mesmo com a aceleração da economia, o governo não conseguirá atingir a meta em 2011. A previsão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, é de que somente em 2014 a proporção de investimentos com relação ao PIB seja de 23%.

Apesar da taxa de investimento ainda não ser suficiente para que a economia do País cresça de forma mais sustentável e sem pressão inflacionária, e também ter sofrido uma queda depois de 2008, ela mostra uma evolução. O mesmo não acontece com a taxa de poupança.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2008, a relação FBCF com PIB era inferior a da poupança. Em 2004, enquanto a primeira era de 16,1% do PIB, a de poupança era de 18,5%. Em 2005, essa comparação ainda era visível (15,9% e 17,3%, respectivamente), assim como em 2006 (16,4% e 17,6%) e em 2007 (17,4% e 18,1%). Porém, em 2008, essa comparação sofreu uma inversão, de modo que a taxa de investimento (de 19,1%) ficou acima da proporção de poupança com o PIB (de 18,8%).

Em 2009, a taxa de investimento era de 16,7% e a taxa de poupança era de 14,7% e no ano passado, a FBCF ficou em 18% do PIB, enquanto que a poupança fechou em 16,5%.

Neste ano, o presidente do BNDES afirmou que a expectativa é que a FBCF alcance 19% do PIB. Os últimos dados do IBGE, divulgado no começo deste mês, mostram que a taxa de investimento no primeiro trimestre de 2011 foi de 18,4% do PIB. A taxa de poupança alcançou 15,8% no mesmo período de 2011.

Necessidade

O professor da ESPM, José Eduardo Balian, comenta que o percentual estimado para o investimento neste ano (19%) parece que está próximo ao necessário (acima de 23% do PIB). Contudo, para se atingir a meta, o governo ainda tem que aumentar seu controle de gastos públicos. "O corte de despesas tem que ser de fato feito. E não tirar de um lado e elevar de outro. Isto gera poupança para aplicar recursos em infraestrutura. Além disso, tem que se reduzir a carga tributária para as empresas, de modo a dar fôlego para investir mais", aponta ele, ao acrescentar que o instrumento necessário para que melhore a relação FBCF e PIB é aplicar uma eficiente política fiscal.

Na opinião do especialista, não há um horizonte para que a taxa de investimento alcance os 23% do PIB. Já o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, acredita ser possível que a meta seja atingida em 2014, conforme espera o BNDES.

Para ele, os gastos públicos podem aumentar, contanto que não cresça acima da inflação. "E isso já está acontecendo", diz. "Com isso cria-se condições para elevar tanto investimentos públicos, quanto privados", acrescenta.

Na opinião do professor, o principal investimento a ser expandido é o público. "Atualmente a taxa de investimento privado está boa [em torno de 15% do PIB], enquanto a pública está muito baixo [cerca de 2% do PIB]. Precisaria pelo menos dobrar os investimentos do governo."

Com relação à infraestrutura, o professor Fernando Fleury, da Business School São Paulo (BSP), diz que as concessões e as chamadas parcerias público-privadas (PPPs) seriam alternativas para captar recursos. Contudo, ele atenta para as dificuldades jurídicas para realizar essas parcerias. "Deveria ser criados mais incentivos aos investimentos", diz.

Alcides Leite afirma que realizar PPPs ou concessões ajuda a captar recursos para melhorar a infraestrutura, mas o setor privado só vai investir em obras que lhe dêem retorno, como em aeroportos brasileiros com pouco movimento, por exemplo.

Paralelo a isso, Fleury comenta que o governo deveria adotar medidas mais efetivas para diminuir o consumo - como uma maior elevação da taxa básica de juros - e, assim, aumentar a taxa de poupança interna. "Grande parte dos investimentos vem de poupança externa, o que pode ser prejudicial à economia, já que muito desse capital é especulativo", afirma.

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